6 de Fevereiro, 2010 às 00:28
O Exército de Salvação Distribui mais de 1.000.000 de refeições no Haiti
Simon James Wadsworth

O Exército de Salvação no Haiti já distribuiu mais de um milhão de refeições como resposta ao sismo. A última distribuição viu mais de meio milhão de refeições serem distribuídas em quatro horas. A organização continua a trabalhar em conjunto com outras organizações não-governamentais (NGOs) e agências, e formou uma boa relação de trabalho com a 82ª Divisão Aerotransportada do Exército Americano.
Na passada 6ª feira (29 de Janeiro) um dos comandantes da 82ª Divisão Aerotransportada dos EUA pediu que o Exército de Salvação conduzisse uma distribuição na área mais perigosa de Port-au-Prince, a capital do Haiti. Ele concordou em providenciar a segurança para este evento e para a próxima distribuição planeada para 2ª feira (1 de Fevereiro). Ambas as distribuições decorreram sem incidentes e existe agora uma relação eficaz e valiosa tanto com as Nações Unidas como com a 82ª Divisão Aerotransportada.
A Major Kelly Ponstler, a Oficial de Informação Pública no Haiti, descreve o que viu: ”Às 14h chegou o comboio de camiões, escoltado por quatro veículos com aproximadamente 40 membros da 82ª Divisão Aerotransportada. Minutos após a sua chegada, os camiões estavam em posição, o pessoal do Exército de Salvação e os militares tinham tomado as suas posições, as portas foram abertas e a comida começou a avançar. Para as dúzias de pessoal e de voluntários no local esta distribuição tinha a ver com serviço; para os milhares de deslocados reunidos na estrada poeirenta, era sobre continuar a sobreviver. À medida que o fumo ondeava da ravina de lixo fumegante que corre ao longo da estreita estrada, membros das famílias apresentavam-se à vez com o seu cartão de ração de comida para que lhe fosse colocado um selo. À medida que a fila continuava, cada portador de cartão recebia comida. Os pacotes – contendo arroz, feijões e vegetais – providenciavam nutrição para uma família de cinco pessoas para uma semana. Foram distribuídas cerca de 520.000 refeições em menos de quatro horas.”
Continua a ser dado tratamento médico, com uma média de mais de 200 pessoas a serem tratadas todos os dias. O Tenente-Coronel Lindsay Rowe, Secretário-em-Chefe do Exército de Salvação para o Território das Caraíbas, afirmou: “O trabalho feito por estes médicos, enfermeiros e pessoal de apoio é realmente fantástico. Fiquei boquiaberto com os complexos procedimentos médicos realizados com os limitados recursos médicos à sua disposição.” Esta foi a primeira visita do Ten.-Coronel ao Haiti desde o sismo. Diz ele: “Nada me poderia ter preparado para o que eu vi e experimentei quando cheguei à devastada cidade de Port-au-Prince. Os locais, sons e cheiros confrontaram-me com a magnitude deste sismo como nenhum outro meio poderia ter feito. A cidade de Port-au-Prince está em ruínas – uma massa de escombros e ruínas. Muitos dos edifícios que parecem ter sobrevivido aos 33 segundos em que a terra tremeu, estão estruturalmente comprometidos e necessitam de ser destruídos.”
O complexo do Exército de Salvação, no coração de uma das áreas mais pobres e mais perigosas da cidade, é constituído por uma escola para 1.500 estudantes, um lar para 52 órfãos, uma clínica médica que atende mais de 200 doentes por dia, um edifício do Corpo (igreja) com 1.000 lugares, o Quartel Divisional para o Haiti, apartamentos para o pessoal e um centro de conferências, vários apartamentos para oficiais e um edifício de administração. Com excepção da escola, tudo está inseguro e necessita de ser reconstruído. Entretanto, o Quartel Divisional mudou-se para instalações alugadas a 29 de Janeiro.
O principal objectivo das equipas de emergência do Exército de Salvação continua a ser as 20.000 pessoas que vivem perto do complexo salvacionista em Port-au-Prince, mas na 5ª feira (28 de Janeiro) começou a distribuição em Petit Goave, a 68 quilómetros de Port-au-Prince. Parece que foi a primeira distribuição em larga escala na área desde o sismo. Alcançar a cidade não foi fácil – as estradas tinham sido parcialmente limpas em locais onde as rochas e os destroços tinham deslizado para a estrada, tornando-a quase intransitável.
O Tenente-Coronel afirmou: “Quando chegámos ao complexo do Exército de Salvação em Petit Goave, os Capitães Reliere e Lynda Javier e 20 rapazes dos escuteiros, estavam à nossa espera e uma multidão tinha-se juntado na rua com os números de distribuição na mão. Os soldados das Nações Unidas providenciaram uma excelente segurança, e 500 caixas, cada uma contendo comida para uma família para uma semana, foram distribuídas de uma forma ordeira. As refeições distribuídas estavam prontas a cozinhar, com arroz e soja enriquecidos para as caçarolas. As famílias apenas necessitam de juntar água quente e a refeição está pronta a servir.
Visitas de avaliação estão a ser organizadas a Leongane e a Jacmel para se investigar o nível de necessidade e de logística de operações de ajuda a estas comunidades. Uma visita da equipa de avaliação ao orfanato Le Bon Samaritan, em Port-au-Prince, resultou na entrega de 20 tendas e sete caixas de comida. Foi feito um compromisso para se continuar a entregar semanalmente comida para as 130 crianças que lá estão. Outros orfanatos na área também estão a receber visitas para se avaliarem as necessidades.
“Port-au-Prince tornou-se numa cidade de tendas” afirmou o Ten.-Coronel Rowe. Até aqueles cujas casas estão estruturalmente seguras não dormem nem cozinham nelas, preferindo antes montar uma tenda e fazer uma fogueira nas traseiras.
O Coronel ilustra este sentimento de medo com a história de uma Oficial do Exército de Salvação reformada, a Major Catherine Pacquette de 86 anos, galardoada com a Ordem do Fundador – a mais alta distinção do Exército de Salvação –, que apanhou um táxi para o Quartel Divisional para pedir uma tenda e um colchão. “A minha casa está boa”, explicou ela, “mas não vou dormir lá dentro!”
Todos os donativos para ajudar as vítimas desta catástrofe são bem-vindos. Pode contribuir directamente com cartão de crédito em: www.salvationarmy.org, ou por transferência bancária para o NIB: 003521690001434783055. Cheques podem ser enviados em nome de ‘Exército de Salvação’, para R. Dr. Silva Teles, 16 – 1050-080 Lisboa. Qualquer que seja o meio, indique sempre que é para as vítimas do terramoto no Haiti. Se tiver dúvidas contacte-nos na nossa Sede Nacional pelo telefone: 21 7802930. Os donativos que forem feitos através do Exército de Salvação chegarão ao Haiti sem quaisquer despesas, nem mesmo bancárias.
Fonte: http://www.exercitodesalvacao.pt